VÍDEO: cantora Sinead O’Connor fala sobre transtornos mentais e diz que foi abandonada

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Artista irlandesa está morando em um motel nos Estados Unidos

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     Foto: Facebook / Reprodução / Reprodução

A cantora Sinead O’Connor publicou um vídeo em seu perfil no Facebook abrindo o jogo sobre seus transtornos mentais. A publicação foi feita na última quinta-feira (3).

No vídeo de 12 minutos, a irlandesa fala que foi abandonada pela família e que está morando em um motel nos Estados Unidos.

“Eu estou completamente sozinha. E não há ninguém na minha vida além do meu médico, meu psiquiatra, o homem mais doce do mundo, que diz que eu sou sua heroína, e essa é a única coisa que me mantém viva no momento. E isso é meio patético”, afirmou O’Connor.

“Espero que este vídeo de alguma forma ajude, não eu, mas as milhões e milhões de pessoas que são como eu”, diz. “Consegui escapar do meu país, do meu estigma, de tudo o que significava que era ok usar o fato de que eu tenho três transtornos mentais como algo para me bater”, completou.

“É o estigma que mata pessoas, não são os transtornos”, destacou no vídeo. “Transtornos mentais são como drogas. Não dão a mínima para quem você é”, ressaltou.

Aos 50 anos, a cantora afirmou que vaga sozinha pelo mundo. Ela disse também que tem tendências suicidas. “De repente todas as pessoas que deveriam te amar e tomar conta de você te tratam como merda. É como uma caça às bruxas”, revelou.

Veja o vídeo em inglês abaixo:

Clique aqui e veja o Vídeo na integra

Nesta terça-feira (8), uma publicação no Facebook da cantora tentou acalmar os fãs preocupados com a situação de Sinead.

“Oi pessoal, estou postando no pedido de Sinead, para que todos os que a amem saibam que ela está segura e ela não vai cometer suicídio. Ela está cercada de amor e recebe os melhores cuidados. Ela pediu que isso fosse publicado sabendo que você está preocupado com ela. Não responderei a nenhuma pergunta, então, entenda. Espero que isso conforte aqueles de vocês preocupados”.

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/gente/noticia/2017/08/video-cantora-sinead-o-connor-fala-sobre-transtornos-mentais-e-diz-que-foi-abandonada-9864545.html

Setembro Amarelo

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Olá Pessoal, estou de volta e tentarei manter uma rotina de postagens em meu blog. Sei que setembro já passou e já entramos em outubro, porém acredito que o ano todo deve ser repleto de sinalizações de atenção para as doenças mentais então irei postar um texto de uma paciente que pacientemente vai as minhas sessões e me acompanha.

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“Precisamos falar sobre Setembro Amarelo.

Tenho muito orgulho de falar “MEU TERAPEUTA” quando me refiro ao meu terapeuta. Sem ele, não tenho dúvidas: o meu buraco continuaria tão fundo quanto estava algum tempo atrás. Ou pior.
Não é tão fácil e nem divertido fazer terapia. Tem dia que saio de lá extremamente exausta, muitas vezes fisicamente. Já cheguei ao ponto de deitar no sofá da minha prima e dormir enquanto ela falava comigo. Tem dia que saio de lá cansada mentalmente, sem saber o rumo de casa (já cheguei me perder fazendo o caminho de volta, onde é só andar reto). E tem dia que é tão maravilhoso que o que sai de mim são quilos e mais quilos de “eus” – “eus” que nunca deveria ter carregado por tanto tempo.
Se me falassem alguns meses atrás que precisaria de um profissional, com certeza eu iria achar que era frescura. Para mim, assim como a grande parte da população, “ansiedade” era algo bem bobo, depressão a pessoa tinha que ficar na cama o dia todo.
Eu fiquei meses sem dormir mais que três horas por noite. Nessas poucas horas pesadelos que me fazem sentir medo até agora. Comer não era divertido ou gostoso, muitas vezes eu esquecia. Sair de casa chegava a ser tão impossível quanto sair da cama. Eu não entendia quando meu coração acelerava ou minha perna tinha uma dor misturada com agonia.
Para ser sincera, ainda não entendo como um filme de 90 minutos pode levar 6 horas para ser assistido por mim, se é que eu tenho sorte de conseguir não desistir. Não entendo quando ao mesmo tempo que está bom, eu estou pensando em outra coisa. Não entendo a vontade incontrolável de levantar e fazer qualquer coisa.
Acho que nunca se falou sobre saúde mental como nesse mês. A minha timeline está lotada de pessoas disponibilizando seu tempo para ouvir alguém. Eu não sou capaz disso, primeiramente porque estou em tratamento, depois que eu não sei qual o seu gatilho, tenho medo, não sei ouvir.
Eu levei muito tempo para descobrir o meu gatilho e acredito que o que é hoje pode não ser amanhã. Eu estou desfazendo muitos nós de dentro de mim e isso me faz parecer desinteressada em muitas pessoas. Veja bem, não me cobre atenção. Eu vou adorar se você me mandar uma mensagem e podermos conversar por algumas horas. Só que tem muitos dias que minha cabeça também não deixa que isso aconteça. Me sentir um peso só por falar um “oi” é bem comum para mim.

Pela primeira vez eu consegui controlar uma crise na quinta-feira. Depois eu consegui controlar no sábado, quando meus amigos estavam comigo e tudo parecia ótimo.
Mês passado eu não conseguiria, mês passado teve dia que eu não consegui sair da cama. Dois meses atrás eu iria cair no choro.
Sem meu terapeuta eu nem sei se estaria aqui hoje.

Se você quer saber mais sobre como é fazer terapia, me chame no inbox, whatsapp, vem na minha casa, faz sinal de fogo. Eu prometo contar tudinho com paciência como tem sido minha experiência. Se você quer indicação de um terapeuta, o meu é incrível e aceito dividir com quem precisar. Vou junto, espero na sala ao lado, sento do lado no sofá. Eu precisei que alguém me levasse e isso foi muito importante para mim.

Sua saúde mental é tão importante quando o seu corpo.
Não é drama, não é pra chamar atenção. Nem é falta de Deus e muito menos frescura.
#SetembroAmarelo

Se você convive com alguém/tem ansiedade esse post é bem bacana e fofinho (resume direitinho quase tudo que eu sinto).

Autor: P. M

É PRECISO IR EMBORA

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Por: 

Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo.

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Estava na festa de despedida de uma amiga, quando ouvi calada e com atenção seu dolorido discurso sobre o quanto ela se preocupava com a decisão de ir embora. Dizia se preocupar com a saudade antecipada da família, com a tristeza em deixar um amor pra trás e com a dor de se afastar dos amigos. Ela iria embora para Londres com tantas incertezas sobre cá e lá, que o intercambio mais parecia uma sentença ao exílio.

Dentre dicas e conselhos reconfortantes de outras amigas, lembro-me de interromper a discussão de forma mais fria e prática do que gostaria: “Quando você estiver dentro daquele avião, olhar pra baixo e ver todas estas dúvidas e desculpas do tamanho de formigas, voltamos a falar. E você vai entrar naquele avião, nem que eu mesma te coloque nele.” Ela engoliu seco e balançou a cabeça afirmativa.

Penso que na ocasião poderia ter adoçado o conselho. Mas fato é que a minha certeza era irredutível, tudo que ela precisava era perspectiva. Olhar a situação de outro ângulo, de cima, e ver seus dilemas e problemas como quem olha o mundo de um avião. Óbvio, eu não tirei essa experiência da cartola. Eu, como ela, já havia sido a garota atormentada pelas dúvidas de partir, deixando tudo pra trás rumo ao desconhecido. Hoje sei que o medo nada mais era do que fruto da minha (nossa) obsessão em medir ações e ser assertiva. E foi só com o tempo e com as chances que me dei que descobri que não há nada mais libertador e esclarecedor do que o bom e velho tiro no escuro.

Hoje a minha amiga não tem mais dúvida. Celebra a vida que ela criou pra ela mesma lá na terra da rainha, onde eu mesma descobri tanto sobre minha própria realeza. Ironicamente – e também assim como eu – ela aprendeu que é preciso (e vai querer) muitas vezes uma certa distancia do ninho. Aprendeu que nem todo amor arrebatador é amor pra vida inteira. Que os amigos, aqueles de verdade, podem até estar longe, mas nunca distantes. Hoje ela chama o antigo exílio de lar, e adora pegar um avião rumo ao desconhecido. Outras, como eu, e como ela, fizeram o mesmo. Todas entenderam que era preciso ir embora.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.

É preciso ir embora.

Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.

Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva, lá de cima do avião.

As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.

Fonte: http://obviousmag.org/antonia_no_diva/2015/e-preciso-ir-embora.html#ixzz3xAlqQLv2

Carência afetiva e necessidade de auto-afirmação nas redes sociais

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Com a democratização do acesso à internet e redes sociais, foram internalizados novos aspectos comportamentais e agregados novos valores sociais. Através destes contextos,criamos muitas vezes uma realidade pré-fabricada a partir das nossas carências afetivas e emocionais, sendo as redes sociais o grande termômetro da insatisfação e insegurança das pessoas consigo mesmas. Mas… até que ponto podemos nos satisfazer nos reinventando muitas vezes na irrealidade?

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Vivemos em uma época em que a maioria dos internautas se classificam nas gerações y e z. São jovens adultos e adolescentes que nos trouxeram mudanças comportamentais a partir de novos paradigmas tecnológicos relacionais, e que as gerações anteriores de uma certa forma foram compelidas a se atualizar.

Com a democratização do acesso a internet e redes sociais, foram internalizados novos aspectos comportamentais e agregados novos valores sociais. Presenciamos as transformações sociais reconfigurando o processo de subjetivação das novas maneiras de se relacionar com o mundo e com o outro.

No entanto, junto às conexões, fotos, selfies e check-ins, podemos concluir que as redes sociais foi o propulsor importante para denunciar a nossa fragilidade egoica. Necessitamos incessantemente da aprovação do outro através dos likes e comentários que elevam a nossa auto-estima. Necessitamos da validação, da aprovação do outro, em busca de convencermo-nos daquilo que não temos certeza em nós mesmos.

Esse olhar perscrutador, avaliador e validativo do outro acerca dos nossos estados emocionais, do nosso sucesso e bem estar nos leva à conclusão de que nós não estamos convencidos internamente daquilo que somos e do que sentimos. Existe uma fragilidade em tudo isto e não foi a internet que desenvolveu. Na realidade estas questões já existiam; a internet foi apenas a ferramenta eliciadora para a eclosão dos conteúdos que presenciamos dia a dia nas redes sociais.

Somos seres gregários e nos realizamos nos relacionamentos interpessoais que nos validam através do olhar do outro e isto além de legitimo, é necessario. No entanto, o que percebo nas redes sociais é uma necessidade premente e constante de autoafirmação, onde percebe-se o movimento de convencer o outro do que ainda não estamos convencidos em nós mesmos. Em outras palavras, as redes sociais é o grande termômetro da insatisfação e insegurança das pessoas consigo mesmas.

Isto é comprovado pelo simples raciocínio de que se não conseguimos nos satisfazer em um nível mais profundo, necessariamente precisamos buscar isto fora.

É fato que não somos e nunca fomos e nem seremos auto-suficientes, portanto,não podemos satisfazer sozinhos as nossas próprias necessidades e carências. Precisamos do outro, é do humano. Mas na internet existe uma caricaturização, uma exacerbação do nosso narcisismo.

Sendo assim, as redes sociais “caiu como uma luva” para a insatisfação humana e pra necessidade fundamental do olhar de aprovação do outro enquanto sujeito que necessita ser valorado e reconhecido, causando um aprisionamento desta necessidade constante de criar muitas vezes uma personalidade fictícia, uma realidade muitas vezes mascarada para satisfazermos as nossas fantasias e necessidades profundas.

Até que ponto acreditamos nesta realidade da felicidade constante, dos amores de contos de fadas, em uma vida sem problemas?

Nos afugentamos nas redes sociais para criarmos esta possibilidade. Criamos muitas vezes uma realidade pré-fabricada a partir das nossas carências afetivas e emocionais. Vivemos o que gostaríamos de viver na realidade e isto agora foi possibilitado pela socialização da internet.

…Mas… até que ponto podemos nos satisfazer nos reinventando muitas vezes na irrealidade?

Por: Soraya Rodrigues de Aragão

Fonte: http://www.contioutra.com/carencia-afetiva/

OMS: Suicídio já mata mais jovens que o HIV em todo o mundo

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“As pessoas simplesmente pensam que é um crime ter pensamentos suicidas. Não deveria ser assim”, diz Lauren Ball, uma mulher de 20 anos que já tentou se matar várias vezes.

Seis, para ser mais preciso. A mais recente tentativa foi no ano passado.

“Sei que foi muito difícil para minha família”, contou Ball ao programa de rádioNewsbeat, da BBC, voltado para o público jovem.

‘Gatilhos’

Gabbi Dix sabia que sua única filha, Izzy, estava sofrendo com a chegada da adolescência, mas não imaginou que o suicídio rondasse seus pensamentos.

“Acho que nunca vou conseguir superar isso”, conta a mãe da adolescente de 14 anos, que em 2012 deu fim à própria vida, numa cidade costeira do sul da Inglaterra.

Para muitos especialistas, o suicídio juvenil tem contornos epidêmicos. E, para a Organização Mundial de Saúde, precisa “deixar de ser tabu”: segundo estatísticas do órgão, tirar a própria vida já é a segunda principal causa da morte em todo mundo para pessoas de 15 a 29 anos de idade – ainda que, estatisticamente, pessoas com mais de 70 anos sejam mais propensas a cometer suicídio.

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No Brasil, o índice de suicídios na faixa dos 15 a 29 anos é de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes, uma taxa relativamente baixa se comparada aos países que lideram o ranking – Índia, Zimbábue e Cazaquistão, por exemplo, têm mais de 30 casos. O país é o 12º na lista de países latino-americanos com mais mortes neste segmento.

“O suicídio é um assunto complexo. Normalmente, não existe uma razão única que faz alguém decidir se matar. E o suicídio juvenil é ainda menos estudado e compreendido”, diz Ruth Sunderland, diretora do ramo britânico da ONG Samaritanos, que se especializa na prevenção de suicídios.

De acordo com a OMS, 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. E para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas.

“Para a faixa etária de 15 a 29 anos, apenas acidentes de trânsito matam mais. E se você analisar as diferenças de gênero, o suicídio é a causa primária de mortes para mulheres neste grupo”, diz à BBC Alexandra Fleischmann, especialista da OMS.

Diferenças

O Brasil, neste ponto, passa pelo fenômeno oposto: índice de suicídios nesta faixa etária para mulheres é de 2,6 por 100 mil pessoas, mas a taxa salta para de 10,7 entre a população masculina. Mas, entre 2010 e 2012, o mais recente período de análise de dados da OMS, o índice feminino cresceu quase 18%.

Em termos globais, uma variação chama atenção: 75% dos suicídios ocorrem em países de média e baixa renda. E as diferenças socioeconômicas parecem ter impacto mais forte entre adolescente

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Análise de gráficos sobre suicídios mostra picos dramáticos entre a população de 10 a 25 anos em países de baixa renda.

Tais “saltos” não são vistos em sociedades mais afluentes, o que sugere maior risco de suicídio entre populações mais pobres.

Ainda no segmento juvenil, a OMS diz que mais homens cometem suicídio que mulheres.

“A masculinidade e as expectativas sociais são os principais motivos para essa diferença”, explica Fleischmann.

Mas essa diferença entre os gêneros é menor em países mais pobres, onde mulheres e jovens adultos estão particularmente vulneráveis.

Em países mais ricos, homens se matam três vezes mais que mulheres, mas em países de média e baixa renda, a relação cai pela metade.

A intensidade também tem variações regionais.

Para especialistas, suicídios são mais do que fatalidades. Pesquisas acadêmicas revelam que pelo menos 90% dos adolescentes que se matam têm algum tipo de problema mental. Eles variam da depressão – a principal causa para suicídios neste grupo – e passam por ansiedade, violência ou vício em drogas.

O que mata mais os jovens?

1,3 milhão

de jovens morrem no mundo anualmente, vítimas de causas evitáveis ou tratáveis

  • 1. Trânsito: Acidentes são a principal causa de morte – 11,6% do total
  • 2. Suicídio fica em segundo, responsável por 7,3% das mortes
  • 3. HIV/Aids e infecções respiratórias
  • 4. Violência: O Brasil é o 6º país do mundo com mais homicídios em que vítimas são jovens

E quando o psicólogo ou psiquiatra morre… por suicídio?

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Por Tiago Zortea

Talvez este seja o tabu dos tabus. Mas seria isso realmente possível? A própria existência deste texto dissolve qualquer dúvida em potencial. Um assunto delicado que envolve muitas questões, sobre as quais não se discute na formação em psicologia ou em psiquiatria. Se esta discussão existe, no entanto, trata-se então de algo completamente isolado e não-representativo. A máxima do conhecimento popular “médico, cura-te a ti mesmo!” também se estende ao campo da saúde mental, alimentando e mantendo escondida uma problemática que envolve famílias, clientes, alunos, empregadores e colegas. Numa pesquisa sobre a reação dos pacientes frente à morte do psicoterapeuta por suicídio, os pesquisadores estadunidenses Reynolds, Jennings e Branson (1997) encontraram diferentes tipos de manifestação, incluindo a negação do tipo de morte (alguns pacientes se recusaram a acreditar na causa do óbito, atribuindo a este outras causas como acidente automobilístico ou assassinato), reações de raiva e decepção, descrença na psicoterapia, episódios depressivos, e até mesmo ideações suicidas entre os pacientes. Mas o que envolve o suicídio de um psicólogo ou psiquiatra?

A pesquisa sobre suicídio entre esses profissionais é bastante escassa. Não apenas pelo tabu em si; mas pela alta complexidade envolvida no desenvolvimento deste tipo de investigação. Se a pesquisa geral sobre comportamento suicida traz consigo dificuldades (relacionadas ao sub-registro de casos, respostas não genuínas às questões das pesquisas, por exemplo), as complicações sobre o exame deste tema entre profissionais de saúde mental são ainda maiores. A primeira delas diz respeito ao ditado popular mencionado acima. Como pode um profissional cuidar da saúde emocional de seu cliente se a sua própria não vai bem? Trabalhando com esta temática (a saúde mental do profissional de saúde mental), Munsey (2006) sugere dois tipos de contextos envolvidos no “mal-estar” de um psicólogo ou psiquiatra: adificuldade e o prejuízo. Na dificuldade, o profissional vivencia intenso stress não prontamente solucionável, afetando seu bem-estar e funcionamento, provocando interrupções no raciocínio, no humor e em outras áreas da saúde. No prejuízo, o profissional passa por uma situação mais intensa que compromete seu funcionamento profissional a ponto de trazer mal-estar ao seu cliente ou tornar seus serviços ineficazes.

Em um artigo publicado na revista The Psychologist da Sociedade Britânica de Psicologia, Patrick Larsson (2012) listou uma série de publicações com dados sobre suicídio entre psicólogos nos Estados Unidos: Deutsch (1985) descobriu que em uma amostra de 264 psicoterapeutas alunos de mestrado e doutorado, 2% reportaram tentativas de suicídio. Em outra pesquisa com pouco mais de 800 psicólogos, Pope e Tabachnick (1994) demonstraram que 29% reportaram ideações suicidas, e 4% afirmaram ter tentado tirar a própria vida. Investigando sobre depressão entre 425 profissionais da psicologia, Gilroy e sua equipe (2002) mostraram que 21% dos entrevistados reportaram ideação suicida passiva, 18% ideação suicida sem plano, e 3% indicaram ideação suicida com plano de execução. Por trás desses números, esconde-se a pressão social sobre o profissional para manter-se “congruente com o que prega” e a consequente negação de problemas emocionais mais sérios. Junto a isso, psicólogos e psiquiatras frequentemente retém informações clínicas importantes e não as compartilham com seus próprios terapeutas ou com colegas (Pope & Tabachnick, 1994). É frequente haver a divisão entre “nós”, os psicólogos/psiquiatras, e “eles”, os clientes/pacientes, o que também pode oportunizar e reforçar uma forma de negligência do próprio estado de saúde mental do profissional.

Ao mesmo tempo, o estigma e julgamento social envolvidos no “mal-estar” do profissional pesa sobre ele como um fracasso: “sou uma contradição! Ajudo na transformação da vida de outras pessoas, as auxilio em seu desenvolvimento emocional e comportamental, mas não posso ajudar-me!”. A busca por ajuda pode ser interpretada pelo profissional que sofre como humilhação e uma declaração aberta de seu suposto fracasso ou incongruência. Sabe-se que uma das razões mais comuns de psicólogos e terapeutas não admitirem sofrer depressão ou ideações suicidas está relacionada ao medo da censura profissional (Deutsch, 1985).

Todas essas questões dificultam muito a intervenção e prevenção do suicídio entre trabalhadores da saúde mental. DeAngelis (2011) sugere que algumas medidas deveriam ser tomadas para prevenir o suicídio entre psicólogos [e psiquiatras]: (1) treinamentos sobre risco e prevenção ao suicídio deveriam ser incluídos nos cursos de formação e qualificação de profissionais de saúde mental; (2) melhoraria no treinamento dos profissionais qualificados não somente no gerenciamento do comportamento suicida com clientes, mas também em métodos de intervenção com colegas que eventualmente estejam vivenciando dificuldades; (3) tornar habitual a discussão sobre os desafios envolvidos em ser um psicólogo; (4) melhorar o ensino sobre estratégias de como lidar com possíveis casos de morte de colegas por suicídio; (5) criar grupos de suporte profissional a fim de reduzir o isolamento inerente ao exercício da profissão.

Tema difícil. Tema delicado. Mas da mesma forma como incentivamos a população a falar sobre suicídio, devemos também iniciar um diálogo dentro da psicologia e da psiquiatria sobre a problemática que pode estar do outro lado do sofá de um consultório. Claro, esta é uma tarefa que cabe aos colegas de profissão, (família e amigos, se possível), exclusivamente. Da mesma forma como há trabalho lá fora, há também dentro da categoria profissional, e tais questões não podem mais ser poupadas em nome da imagem social de seres “intocáveis”.

Referências:

DeAngelis, T. (2011). Psychologist suicide. Monitor on Psychology, 42(10), 19.

Deutsch, C. J. (1985). A survey of therapists’ personal problems and treatment.Professional Psychology: Research and Practice, 16(2), 305–315.

Gilroy, P.J., Carroll, L. & Murra, J. (2002). A preliminary survey of counseling psychologists’ personal experiences with depression and treatment. Professional Psychology: Research and Practice, 33(4), 402–407.

Larsson, P. (2012). Psychologist suicide: Practising what we preach. The Psychologist, 25(7), 550-552.

Pope, K. S. & Tabachnick, B. G. (1994). Therapists as patients. Professional Psychology: Research and Practice, 25(3), 247–258.

Munsey, C. (2006). Helping colleagues to help themselves. Monitor on Psychology, 37(7), 35.

Reynolds, J., Jennings, G., & Branson, M. L. (1997). Patient’s reactions to the suicide of a psychotherapist. Suicide and Life-Threatening Behavior, 27(2), 176-181.

Fonte: http://www.contioutra.com